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Na Suíça, produtos com certificação orgânica participativa da ECOARARIPE/PE têm boa aceitação do público


Por Acsa Macena

Produtos da ECOARARIPE/PE no Marché Cuendet, mercado de frutas e legumes orgânicos em Brembles, distrito de Morges, Canton de Vaud, Suíça.
Marché Cuendet, mercado de frutas e legumes orgânicos na Suíça.

Quem já conhece os produtos dos consórcios agroecológicos sabe que a qualidade é inquestionável. Agora chegou a vez da Suíça conhecer o sabor e os valores que estão envolvidos nesses produtos. Isso porque a Associação de Agricultoras e Agricultores Agroecológicos do Araripe (ECOARARIPE/PE) realiza sua primeira comercialização para o país europeu através de 8 kits compostos por tahine, amendoim cru e torrado, pasta de amendoim e grãos de gergelim.

Mathieu Cuendet é o responsável pela compra que aconteceu durante uma viagem ao Nordeste brasileiro. Ele é agricultor orgânico e proprietário do Marché Cuendet, um mercado agrícola suíço que é aberto todos os dias, localizado em Bremblens, um distrito de Morges, Canton de Vaud.  Ao ver a potencialidade e qualidade dos produtos, a intenção foi incorporá-los à feira de legumes e frutas orgânicas que já acontece dentro de sua propriedade.

“Aqui na Europa é muito difícil encontrar produtos orgânicos da América Latina que sejam bem-feitos, sustentáveis e que paguem bem aos produtores e às produtoras. Então ficamos muito felizes em comprar produtos com essa qualidade e que apresentam a responsabilidade com agricultores/as e com a natureza. Acho que pode funcionar muito bem aqui na Europa”, explica.

Produtos da ECOARARIPE/PE no Marché Cuendet, mercado de frutas e legumes orgânicos na Suíça.

Com 6 kits já vendidos, Mathieu Cuendet enxerga um mercado orgânico promissor para os produtos na Europa, especialmente na Suíça. “Acredito que o produto que mais venderemos será a pasta de amendoim porque tem muita gente aqui que consome e é muito difícil encontrar uma pasta orgânica tão perfeita assim aqui na Suíça. Também o amendoim em grãos e depois, penso que o óleo de gergelim. Para ampliarmos as vendas temos que tentar fazer uma exportação do Brasil até a Suíça, ver as taxas e tudo para sabermos se é complicado ou se é fácil. Pretendo tentar futuramente”, explica.

Mathieu Cuendet, proprietário do Marché Cuendet, mercado de frutas e legumes orgânicos na Suíça.

Já segundo a agricultora e presidente da ECOARARIPE/PE, Adeilma Silva, ver os produtos em outro país é uma conquista simbólica, especialmente no ano em que a organização de base da agricultura familiar do Sertão do Araripe-PE celebra seus 10 anos de credenciamento ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), isto é, a autorização para emitir o selo brasileiro orgânico nos produtos agrícolas de origem vegetal das Unidades Familiares Produtivas (UFPs).

“Essa primeira comercialização para a Europa é um sentimento de realização de um sonho. Antes, sonhávamos em ter os nossos produtos sendo comercializados, mas nunca pensamos em comercializar para um país europeu. Nossa gratidão à Diaconia por ter apoiado a ECOARARIPE/PE e sempre estar incentivando as famílias que o caminho é esse, agora comemorando 10 anos de credenciamento e ver que estamos avançando cada vez mais nesse caminhada”, considera.

Já para o ano de 2024, as expectativas são acompanhadas da introdução de um novo produto também dos consórcios agroecológicos com o algodão. “Estamos com novos pensamentos e ideias, entre elas, para nossa cadeia de produção é mais um produto que é o óleo de girassol, que se Deus quiser estaremos colocando nas prateleiras”, afirma.

Óleo de girassol produzido pela ECOARARIPE/PE.

Segundo Fábio Santiago, coordenador do Projeto/Diaconia, esse é um momento histórico para a ECOARARIPE/PE, que marca a primeira comercialização dos produtos dos consórcios com certificação orgânica participativa para um mercado de um país europeu. De acordo com Santiago, o papel como coordenação do Projeto é apoiar os caminhos para novas frentes de comercialização pelas organizações de base da agricultura familiar.

“Essa primeira aproximação com a Suíça nos dará os caminhos de uma possível exportação pela ECOARARIPE/PE. Ao mesmo tempo, será referência para os demais SPGs/OPACs apoiados pelo Projeto. A visibilidade ampla dos produtos dos consórcios dará a magnitude do potencial de mercado. A ideia é apoiar a comercialização dos produtos dos consórcios, de modo a alavancar a geração de renda por SPGs/OPACs que estão na base da pirâmide da sociedade brasileira. A identidade desses produtos estabelece a entrada no mercado da economia formal. Agora a agricultura familiar tem uma marca de tahine, pasta de amendoim, entre outros, fazendo com que o valor agregado seja essencialmente distribuído para os agricultores/as”, explica.

Comemoração de 10 anos do credenciamento da ECOARARIPE/PE ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Sertão do Araripe-PE, município de Ipubi-PE.

Ainda segundo Santiago, esse valor agregado sempre esteve acumulado nas mãos de poucas pessoas, que fazem o beneficiamento e colocam a marca que não é da agricultura familiar. No entanto, a matéria prima na sua maioria vem da agricultura familiar. “É uma inversão de lógica, ou seja, a distribuição do valor agregado está indo para base da pirâmide social brasileira. Espera-se com isso maior circulação de riqueza para mais pessoas, sendo representada por SPGs/OPACs. Ademais, são produtos que carregam uma história da agricultura familiar com práticas agrícolas à luz da certificação orgânica participativa, inclusiva, baixo carbono e paisagem com abordagem regenerativa”, afirma.   

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada pela Diaconia e tem apoio financeiro da Laudes Foundation através do IDH – Sustainble Trade Initiative, da Inter-American Foundation (IAF), da V. Fair Trade, Instituto Lojas Renner e da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. No incentivo à gestão e disseminação do conhecimento, o Projeto é parceiro estratégico do FIDA/AKSAAM/UFV/IPPDS/FUNARBE e da Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória/SE). Ainda é parceiro do SENAI Têxtil e Confecção da Paraíba, Projeto + Algodão – FAO/MRE-ABC/IBA/Governo do Paraguai, Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Projeto Algodão Agroecológico Potiguar no Rio Grande do Norte. A área de atuação é em 7 territórios e 6 estados na região semiárida do Nordeste do Brasil. Há colaboração com ONGs locais (Instituto Palmas – Alto Sertão de Alagoas, ONG Chapada – Sertão do Araripe/PE­ e Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato – Sertão do Piauí) para a expansão do cultivo do algodão consorciado e fortalecimento dos Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade (OPACs) – Associações Rurais de Certificação Orgânica Participativa. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o assessoramento técnico está sendo realizado pela Arribaçã, tendo ainda a parceria com o CEOP – Território do Curimataú/Seridó.  No Sertão do Pajeú (PE) e Sertão do Apodi (RN), a Diaconia mantém escritórios e atividades e se encarrega da implementação das ações locais do Projeto e parceria com CPT – RN.