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Associação Agroecológica do Pajeú (ASAP-PE) realiza primeira venda antecipada dos produtos dos consórcios agroecológicos


Por Acsa Macena

O pedido foi realizado pela Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH), uma das apoiadoras do Projeto/Diaconia, e rendeu mais de R$4.000 em comercialização para a ASAP-PE.

Produtos da ASAP-PE no evento de 15 anos da IDH (Uso de dados e inteligência artificial para a geração de renda no meio rural). Campinas – SP. Foto: IDH/Husam Adin Hazimeh

Antes de inaugurar a sua Unidade de Beneficiamento de Alimentos (UBA), prevista para o final desse ano, a Associação Agroecológica do Pajeú (ASAP-PE) já demonstra as primeiras habilidades adquiridas a partir dos instrumentos de formação e gestão trabalhados pelo Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos, coordenado pela Diaconia.

Pela primeira vez, a ASAP-PE entrega seu primeiro grande pedido em venda direta à Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH), um dos braços da Laudes Foundation, apoiadora financeira do Projeto/Diaconia. Os pedidos foram feitos para a comemoração dos 15 anos da IDH, onde foi possível discutir o uso de dados e a inteligência artificial na geração de renda no meio rural, que teve celebração em Campinas-SP, no final de novembro (29/11), e reuniu diferentes parcerias que compõe a iniciativa, que foram presentados com os produtos da ASAP/PE.

“Sempre presenteamos nossos parceiros e, dessa vez, pensamos em presentear com aquilo que estamos apoiando. E aí surgiu a ideia de comprar os produtos da ASAP/PE. O time todo já tinha provado e adorado tanto o tahine como a pasta de amendoim. Inclusive o time da IDH da índia e Holanda que veio visitar o território recebeu os produtos e gostou muito. Então nesse ano, optamos por presentear os parceiros com esses produtos e foi o maior sucesso”, explica Grazielle Cardoso, supervisora do Programa Territorial Sustentável no Semiárido da IDH Brasil.

Foto: IDH/Husam Adin Hazimeh
Produtos da ASAP/PE

A IDH é uma instituição privada que trabalha com produtores/as, empresas, financiadores, governos e sociedade civil para promover o comércio sustentável nas cadeias de valor globais. Para o evento, foram comercializados 70 kits de produtos oriundos dos consórcios agroecológicos compostos por pasta de amendoim e tahine. A venda antecipada resultou em mais de R$4.000,00 para a ASAP-PE.

“A aceitação foi ótima. A pasta de amendoim, em especial, é algo que não é muito usual no país, mas o pessoal quando prova, gosta bastante. O tahine é unânime também, todo mundo gosta muito. São produtos que têm o potencial de ganhar mercado, ser reconhecido e avançar em mercados internos e externos. Sempre apoiamos muitas cadeias produtivas, mas quando falamos em agregação de valor para o/a pequeno/a produtor/a, precisamos falar na profissionalização, na verticalização dos produtos, de não ficar só com a venda in natura. Então é importante consolidar esse acesso a novos mercados através de associações que são essenciais para que o/a produtor/a tenha força”, observa Cardoso.

Letícia (Laudes Foundation), Fábio Santiago (Diaconia) e Grazielle (IDH) com os produtos da ASAP/PE no evento de 15 anos da IDH. Campinas, SP.
Daniela Mariuzzo (Diretora Executiva da IDH Brasil) com o tahine produzido pela ASAP/PE. Foto: IDH/Husam Adin Hazimeh

Mais do que vender, o pedido evidencia a efetividade dos caminhos que têm sido trilhados para a profissionalização da organização de base da agricultura familiar, compreendendo diferentes processos até à comercialização. “O valor agregado realmente está conseguindo dar importância ao nosso trabalho. Se não fossem as formações, jamais conseguiríamos acessar os mercados e muito menos essa relação direta. Tivemos vários desafios como notas fiscais, transportadora, gestão e outras, sabendo que temos muito o que melhorar. Mas foi o primeiro pedido e agora conseguiremos realizar com mais tranquilidade os próximos”, explica Joana Darck, agricultora e presidente da ASAP/PE.

Equipe de Diaconia e agricultores e agricultoras da ASAP/PE durante oficina para funcionamento da UBA. Serra Talhada – Sertão do Pajeú-PE.

Segundo Erickson Macena, assessor técnico da Diaconia, além da visibilidade que será ampliada, o primeiro pedido em grande escala da ASAP-PE também serviu para aperfeiçoar o processo formativo trabalhado na UBA. “O IDH é um parceiro forte e com alcance no Brasil e exterior. Então essa primeira grande comercialização direta da ASAP/PE reflete o que temos incentivado no Projeto/Diaconia: a eliminação da presença de atravessadores no processo de comercialização. Além disso, a sequência de formações realizadas na UBA permitiu o conhecimento para a as famílias agricultoras sobre as etapas necessárias para a gestão e produção. Esse é um conhecimento que não é só teórico, mas também prático”, afirma.

Produtos da ASAP-PE no evento da IDH. Campinas, SP.

 Segundo o coordenador do Projeto/Diaconia, Fábio Santiago, com os produtos da ASAP/PE em kits para as pessoas que participaram do evento, foi possível materializar o foco em qualificar a ASAP/PE no avanço de outras cadeias produtivas além do algodão.

“Falamos da marca/identidade que é representada pela ASAP/PE no mercado formal. Agora a sociedade tem uma associação de base da agricultura familiar de certificação orgânica participativa se inserindo no mercado de tahine e pasta de amendoim. E a partir dela é possível fazer a inclusão social e circulação de renda na base da pirâmide da sociedade brasileira. Após a minha fala no evento, o diálogo se expandiu a mais pessoas querendo saber da iniciativa. Foi uma grande oportunidade para dar a visibilidade que o Projeto/Diaconia vem apoiando na região semiárida do Nordeste do Brasil. Isso pode gerar outros pedidos para ASAP/PE e as outras associações de certificação orgânica participativa. É essa nossa estratégia daqui para frente, ou seja, profissionalizar a ASAP/PE para se inserir no mercado com outros produtos dos consórcios agroecológicos”, explica.  

Foto: IDH/Husam Adin Hazimeh
Foto: IDH/Husam Adin Hazimeh

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada pela Diaconia e tem apoio financeiro da Laudes Foundation através do IDH – Sustainble Trade Initiative, da Inter-American Foundation (IAF), da V. Fair Trade e o Instituto Lojas Renner. No incentivo à gestão e disseminação do conhecimento, o Projeto é parceiro estratégico do FIDA/AKSAAM/UFV/IPPDS/FUNARBE e da Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória/SE). Ainda é parceiro do SENAI Têxtil e Confecção da Paraíba, Projeto + Algodão – FAO/MRE-ABC/IBA/Governo do Paraguai, Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Projeto Algodão Agroecológico Potiguar no Rio Grande do Norte. A área de atuação é em 7 territórios e 6 estados na região semiárida do Nordeste do Brasil. Há colaboração com ONGs locais (Instituto Palmas – Alto Sertão de Alagoas, ONG Chapada – Sertão do Araripe/PE­ e Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato – Sertão do Piauí) para a expansão do cultivo do algodão consorciado e fortalecimento dos Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade (OPACs) – Associações Rurais de Certificação Orgânica Participativa. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o assessoramento técnico está sendo realizado pela Arribaçã, tendo ainda a parceria com o CEOP – Território do Curimataú/Seridó.  No Sertão do Pajeú (PE) e Sertão do Apodi (RN), a Diaconia mantém escritórios e atividades e se encarrega da implementação das ações locais do Projeto e parceria com CPT – RN.